Desde que dei pela primeira vez o curso Escreva Bem, Pense melhor, na Casa do Saber em São Paulo, procurei entender a necessidade das pessoas para poder ajudar melhor. Além de assistir às aulas, elas sempre pediam por um atendimento mais personalizado, isto é, aplicado ao que faziam. Dessa forma, resolvi mudar o formato do curso, para poder ler o trabalho de cada um, avaliar seu estágio de desenvolvimento, orientar o texto e também o caminho para a publicação.
Para isso, conta muito minha bagagem como jornalista, editor e também autor. Como editor de jornal e revistas, passaram por mim milhares de textos de grandes profissionais nos veículos onde trabalhei, como Veja, Exame, O Estado de S. Paulo, tanto no meio impresso quanto digital. Como editor, na Saraiva publiquei obras de autores consagrados, best sellers e também autores novos, que lancei por meio do Prêmio Benvirá.
Foi um grande sucesso. O vencedor do prêmio, Oscar Nakasato, ganhou mais tarde também o Jabuti de Literatura com Nihonjin. Raphael Montes (suicidas, Dias Pefeitos) com apenas dois livros e 24 anos hoje é publicado em 13 países, dos Estados Unidos à China. Pelo menos uma dezena de outros autores estão no mercado comercial oriundos dessa iniciativa.
Para as aulas presenciais, escolhi uma sala no espaço Florescer, no Pacaembu, em São Paulo, um lugar agradável onde as pessoas poderão refletir comigo sobre o trabalho de escrever e trocar experiências. Ali também será o ponto de partida para o coaching (atendimento individual). A ideia é receber a orientação na quarta-feira e ter toda a semana para trabalhar em um texto próprio, que já exista ou que se pode começar a escrever.
Escreva Bem foi criado com base na minha experiência de trinta anos de edição. Não é um curso de ortografia, nem de gramática. É um exercício de organização do pensamento, ponto de partida para, como eu digo, "pensar no papel". Escrever em si não representa dificuldade alguma - é digitação. Escrever são as ideias, como as organizamos, como as criamos e como fazemos para tornar o importante também interessante, além de adequado ao público que desejamos. Será um prazer colaborar com todos os que estiverem por lá. Inscreva-se!
• Curso com quatro aulas presenciais (módulos) de redação, acompanhamento individual do desenvolvimento de um texto pessoal e orientação para publicação. • Workshop com atendimento individualizado para análise e aperfeiçoamento da sua técnica de redação em qualquer formato: ficção (romance, conto), crônica, livro-reportagem, blog, texto acadêmico, texto profissional
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
"Não tenha pressa, mas não perca tempo"

O jornalista José Ruy Gandra, que certa vez entrevistou o escritor português José Saramago, foi quem ouviu primeiro a frase lapidar, seu conselho para jovens escritores: "Não tenha pressa, mas não perca tempo".
Fiquei com a frase, pérola de sabedoria que serve para tudo, porém é especialmente importante para a tarefa de escrever. Há dentro dela mais do que simples filosofia: há um mecanismo de trabalho que define o próprio ato de escrever.
Escrever é pensar no papel. É preciso, para que um texto saia perfeito, haver uma sincronia entre ambas as coisas; certamente Saramago sabia disso como ninguém. Por vezes, se estamos ansiosos com o que vamos escrever, ou pensamos rápido demais, mais rápido do que podemos escrever, pulamos algo importante. Se as ideias não fluem, o texto não sai. Escrever tem, como se diria em inglês, o seu pace - o seu tempo, uma espécie de cadência, em que pensamento e escrita fluem juntos.
Esse fluxo em que se escreve pensando e vice-versa só é adquirido com a prática da escrita. Por isso, não basta o talento. Somente a prática faz com que o texto saia na tela do computador com naturalidade, da mesma forma com que as palavras saem da boca quando falamos. O discurso oral parece ser produzido sem pensar; na realidade, pensamos enquanto falamos. O mesmo ocorre com a linguagem escrita, com a diferença de que falamos desde pequenos, todos os dias, durante anos. Escrever com a mesma naturalidade com que se fala requer treinamento igual.
A pressa faz as palavras seguirem à frente das ideias, o que é contraproducente; escrever devagar faz o processo igualmente parar. Escrever requer paciência e o cumprimento de todas as etapas, frase a frase, parágrafo por parágrafo.
Claro que a sentença de Saramago se refere a mais coisas, ou principalmente a outra coisa. É muito fácil nos distrairmos diante da tarefa de escrever.É um trabalho pessoal, que não pode ser terceirizado. E que sempre requer a volta a uma certa sintonia quando temos que recomeçar depois de uma parada. Tendemos a querer fazer outras coisas, a fugir do trabalho, por receio de não conseguir realizar a mágica novamente, nunca mais. Por isso é importante não ter pressa, para fazer o serviço direito, mas não perder tempo. O tempo é a única coisa que temos.
Depois de escrever um livro de não-ficção, que deve sair pela editora Planeta em fevereiro próximo, estou pelo meio de um ambicioso romance, desafio diário que me dá tanto prazer quanto medo. Os anos de trabalho não eliminaram de todo a incerteza; por vezes, receio que uma coisa ou outra não fique tão boa; por vezes, resisto a recomeçar. Tento aproveitar os momentos de envolvimento com a história, que fazem o trabalho render mais. E sento diariamente diante da máquina, logo ao acordar, para que nada sirva de distração.
Penso em Saramago e João Ubaldo, que recentemente perderam a coisa mais importante para o escritor - o tempo. Eles me ajudam a ir adiante, sem perder tempo, nem o compasso.
Bons pensamentos para dividir também nocurso Escreva Bem, Pense Melhor, dia 7 próximo na Livraria da Vila.
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